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Um Novo Ano, Um Novo Blog.

Faz dois anos que, quando um novo ano se inicia, eu tenho que trocar o título do blog (é, eu não tive muita originalidade ao escolhê-lo). Portanto, fundo agora o “Cinema e Argumento”, link definitivo do meu blog de críticas cinematográficas. Com mais de 180 posts, 790 comentários e 90.000 visitas de seu público (sim, estatísticas são muito interessantes), o Cinema 2007 agora se transfere fixamente para o link abaixo:

www.cinemaeargumento.wordpress.com

Boa leitura, e conto com a presença de vocês.

Grande abraço, Matheus Pannebecker.

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Melhor Direção

- Alejandro González Iñárritu, por Babel -

Não sou muito fã de Babel. Quer dizer, adoro o filme, mas não o acho uma obra-prima como muitos apontam. No entanto, fiquei completamente maravilhado e surpreendido com a grande direção do competente Alejandro González Iñárritu que, apesar de não ter realizado seu melhor filme (ainda fico com Amores Brutos), apresentou sua melhor direção. Maduro e minimalista, o preciso trabalho de Iñárritu é o aspecto mais positivo do filme, junto com as ótimas interpretações do elenco. Se o Oscar desse ano tivesse sido por merecimento (afinal, Scorsese só levou porque deviam pra ele) certamente a estatueta seria de Babel. Realizando o filme de forma quase documental, Iñárritu acertou nesse estilo, que acaba fluindo muito bem em suas mãos. Se tivéssemos uma maior agilidade no roteiro, o filme seria ainda melhor. De qualquer forma, ele acaba sendo o melhor diretor do ano, ao menos na minha perspectiva. É o único trabalho do diretor onde a direção se sobressai ao filme.

 

OUTROS INDICADOS: 

 

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Clint Eastwood, por Cartas de Iwo Jima. É difícil acreditar que um filme de guerra do porte de Cartas de Iwo Jima seja dirigido por um senhor de idade avançada como Clint Eastwood. Mas se tratando do veterado diretor, nada é surpreendente. Depois de roubar a cena (literalmente!) quando tirou o Oscar de Scorsese coma sua Menina de Ouro, Clint retorna ao cinema com dois grandes filmes. Mas foi a versão japonesa que mais se destacou. Utilizando um tom muito humano e deixando de lado batalhas intermináveis ou sangue pra todo o lado, o diretor deu uma aula de como se fazer um filme de guerra sem que ele caia no tédio ou na chatice. Um grande feito, diga-se de passagem.

 

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Paul Greengrass, por O Ultimato Bourne. É inegável que Paul Greengrass é um diretor mais do que promissor. Depois de toda a incrível habilidade demonstrada em Vôo United 93, ele investiu em O Ultimato Bourne, onde conseguiu me surpreender mais ainda (feito que não conseguiu com o volume anterior da série). Com a câmera na mão – nada de tripés, inclusive nas cenas de ação e correria – ele deu mais uma prova de que é um talentoso diretor, sendo um dos melhores do atual cinema de Hollywood. Não apenas realizou o melhor filme desse ano, como repaginou a série e conseguiu fãs que a série não tinha nos capítulos anteriores. E eu me incluo nessa categoria.

  

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David Fincher, por Zodíaco. Como todos podem ver, através da minha lista de indicados desse ano, não sou muito fã de Zodíaco, apesar de ter gostado muito do resultado do filme. Contudo, é impossível deixar de lado a ótima direção do competente David Fincher que fez com que esse filme de mais de 2h30 não se tornasse um tédio em nenhum momento. Comandando o suspende com grande habilidade e segurança, Fincher também foi excelente ao dirigir o elenco, arrancando grandes interpretações de todos os atores (especialmente de Jake Gyllenhaal e Mark Ruffalo). Teria mais chances se eu gostasse mais do filme. De qualquer forma, merece créditos pela ótima direção.

 

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Stephen Frears, por A Rainha. A cada filme que produz, o diretor Stephen Frears sobe mais no meu conceito. Depois de Ligações Perigosas, Coisas Belas e Sujas e Senhora Henderson Apresenta, ele me conquistou definitivamente com seu elegante trabalho em A Rainha. Com um jeito único de contar histórias, sem nunca cair em clichês ou no melodrama barato, Frears fez desse seu último trabalho, um dos melhores de sua carreira. Utilizando um estilo mais documental e tons de dramas contidos, ele realizou um dos melhores trabalhos do ano que com certeza é extremamente digno de sua indicação nessa minha categoria. Frears ainda chegará a conquistar um Oscar, e ficarei muito contente ao vê-lo vencedor.

P.S. Eu Te Amo

Direção: Richarda LaGravanese

Elenco: Hilary Swank, Gerard Butler, Kathy Bates, Lisa Kudrow

P.S. I Love You, EUA, 2007, Comédia Dramática, 130 minutos, 12 anos.

Sinopse: Após a morte de seu jovem marido Gerry (Gerard Butler), Holly (Hilary Swank) descobre que ele deixou várias cartas que vão lhe ajudar a superar toda a dor e sofrimento. Junto com sua mãe (Kathy Bates) e sua melhor amiga Denise (Lisa Kudrow), ela vai descobrir que a vida é feita de capítulos, e que Gerry foi apenas um na vida dela.

Hilary Swank é uma atriz irregular – mesmo tendo dois merecidos Oscar de Melhor Atriz em sua estante (por Menina de Ouro e Meninos Não Choram), constantemente faz inúmeras bobagens no cinema, com algumas resultando em catástrofes, como o recente A Colheita do Mal. Mas, de uns tempos pra cá, ela vem se redimindo em trabalhos menores que, apesar de serem filmes bem esquecíveis, primam por arrancar excelentes momentos dessa ótima atriz. No seu filme anterior com o diretor Richard LaGravanese, Escritores da Liberdade, Swank surpreendeu com uma contundente interpretação, tornando a história muito mais atraente do que ela realmente era. Agora, retomando a parceria com o diretor, ela volta aos cinemas com esse filme mais óbvio e previsível, mas que mesmo assim funciona como um ótimo veículo de divulgação para o carisma da atriz.

P.S. Eu Te Amo tinha dois rumos que poderia seguir. O primeiro era o mais óbvio: o dramático. Se seguisse esse caminho, com certeza poderia acabar caindo nos clichês mais óbvios de histórias sobre perdas, mas daria uma amplitude maior para os atores e talvez pudesse ser muito emocionante. O outro caminho era o da comédia, tratando a história com muita leveza e acessibilidade. Com o objetivo de atingir um público maior, o roteiro acabou optando por trabalhar um pouco dos dois gêneros. De uma certa forma, acerta em ambos, mas um pouco de originalidade e criatividade não faria mal a ninguém. Por incrível que pareça, não é um filme muito clichê; o problema reside nos rumos que a história toma – previsíveis e pouco empolgantes. A história se extende por tempo demais (tendo duas horas de duração) e em certos momentos acaba sendo uma grande enrolação, onde as motivações da protagonista não parecem ser tão fortes.

O ponto forte da produção acaba sendo o elenco. Além da ótima Swank, que aproveita muito bem seus momentos dramáticos com ótima ótima performance, temos a presença da sempre ilustre Kathy Bates, que tem seus excelentes momentos também – especialmente nas cenas finais, onde conversa com a filha sobre os rumos que as vidas de ambas levaram nos relacionamentos amorosos. Lisa Kudrow, muito afetada pela idade, é uma boa coadjuvante, que consegue divertir e causar risadas. Quem eu desaprovei completamente foi Gerard Butler. Apesar de ter um pouco de carisma, é uma figura estranha e com uma péssima dicção, nunca sendo bom o suficiente como o restante do elenco.

A trilha sonora de P.S. Eu Te Amo é usada em excesso, sejam as músicas interpretadas ou as músicas instrumentais, e em alguns casos não têm coerência com a cena que está sendo apresentada. Tirando os defeitos básicos desse gênero de filme, acaba sendo um agradável entretenimento, para se ver a dois. Engraçado, romântico e dramático, P.S. Eu Te Amo é mais um filme previsível que invade as telas de cinema, bem do jeito que o público gosta (vi várias pessoas chorando durante a história). Mas se for pra deixar o lado crítico completamente de lado e ir acompanhado de alguém especial, vale a pena.

FILME: 6.5

Melhores de 2007 – Atriz

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Melhor Atriz

- Marion Cotillard, por Piaf – Um Hino Ao Amor -

A maquiagem que favorece o desempenho de Marion Cotillard na cinebiografia da cantora francesa Edith Piaf é mero detalhe de uma grande interpretação que foi a mais comentada depois do destaque dado para Helen Mirren e sua personificação da rainha Elizabeth. Mesmo que o filme seja extremamente convencional e falho no seu relato cronológico dos fatos, Marion conseguiu se sobressair, apresentando um desempenho simplestemante brilhante. Conquistando o favoritismo para o Oscar de Melhor Atriz em 2008, ela superou todos os outros trabalhos do ano, realizando o melhor trabalho feminino apresentado no cinema em 2007. Por mais que tenha que vencer as barreiras do prenconteito da Academia com estrangeiros, Marion vai com toda a força para o Oscar, levando a grande torcida da crítica especializada.

 

OUTROS INDICADOS:

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Judi Dench, por Notas Sobre Um Escândalo. Judi Dench é uma atriz com quem tive extrema dificuldade em apreciar. O único trabalho dela que eu realmente havia gostado era Sra. Henderson Apresenta. Mas eis que ela surge com esse seu poderoso trabalho, que é o melhor entre os personagens femininos fictícios desse ano. Com uma complexidade única, a personagem Barbara Covett foi vivida de roma impecável pela atriz, que realizou a melhor interpretação de toda a sua carreira. Além disso, está num filme maravilhoso, com um roteiro que favorece completamente seu desempenho. Mesmo que tenha uma linda companheira de cena (Cate Blanchett), ela domina completamente o setor de atuação.

 

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Helen Mirren, por A Rainha. Antes do surgimento de Marion Cotillard e sua Edith Piaf, era Helen Mirren a dona do cargo de Melhor Atriz do ano. Vencedora do Oscar por seu trabalho no filme de Stephen Frears, Mirren deu um show de atuação no filme, utilizando as palavras de forma única e os tons de voz exatos para demonstrar toda a soberania da rainha Elizabeth. De longe, foi o maior destaque de um filme que tem vários aspectos brilhantes. Extremamente memorável e inesquecível, o trabalho de Mirren é um daqueles que vai ficar no hall de “personificações” mais conhecidas do cinema contemporâneo. Contida e sublime, por pouco não venceu nessa categoria.

 

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Ashley Judd, por Possuídos. Sem dúvida alguma essa é a triz mais injustiçada desse ano, por causa do fracasso comercial do filme e da pouca atenção que recebeu da crítica, que não foi muito positiva em seus comentários. Fiquei com a impressão de que o filme poderia ser melhor, mas é completamente impossível ficar indiferente ao soberbo desempenho de Ashley Judd, que apresenta o melhor trabalho de sua carreira. Surpreendente e poderosa, roubou completamente a cena e fez uma parceria brilhante com o ótimo Michael Shannon. Além de ser um personagem muito perturbador, é atraente por causa da competência de Ashley. Merece uma segunda chance.

 

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Kate Winslet, por Pecados Íntimos. Das indicadas, essa foi a atriz que mais perdeu força desde a estréia do seu filme. Ficou na minha lista apenas por causa de minha admiração por Winslet e por ser um bom desempenho, ainda que não o melhor da atriz em um filme dramático. Versátil e poderosa, Winslet não está especialmente marcante em Pecados Íntimos, até porque divide a tela com outros competentes atores, mas conseguiu apresentar mais um bom trabalho para a sua brilhante carreira, que com certeza um dia lhe levará ao Oscar. No entanto, Kate Winslet foi merecedora dessa indicação sim, com todos os méritos. Além de ter dado um impulso à sua carreira.

 

Outros destaques de 2007: Angelina Jolie (O Preço da Coragem), Annette Bening (Correndo Com Tesouras), Charlize Theron (No Vale das Sombras), Fernanda Torres (Saneamento Básico), Hilary Swank (Escritores da Liberdade), Kirsten Dunst (Maria Antonieta) e Naomi Watts (O Despertar de Uma Paixão) e Nicole Kidman (A Pele).

A Bússola de Ouro

Direção: Chris Weitz

Elenco: Dakota Blue Richards, Nicole Kidman, Daniel Craig, Eva Green, Sam Elliott, Christopher Lee, Freddie Highmore (voz), Ian McKellen (voz), Kathy Bates (voz).

The Golden Compass, EUA, 2007, Aventura, 118 minutos, 10 anos.

Sinopse:Lyra Belacqua (Dakota Blue Richards) é uma órfã que foi criada na Universidade Oxford. No mundo em que vive todas as pessoas têm um “daemon”, ou seja, uma manifestação de sua própria alma em forma animal. Lyra leva uma vida tranqüila até ela e seu daemon, Pantalaimon, descobrirem a existência de uma substância misteriosa chamada “pó”. Isto provoca um estranho efeito nas crianças, o que faz com que as autoridades religiosas se convençam de que representa o mal. Seguindo o misterioso Lorde Asriel (Daniel Craig), seu protetor, Lyra parte em busca de uma resposta. Em Londres ela descobre que diversas crianças estão desaparecendo, entre elas Roger (Ben Walker), seu melhor amigo. Com a ajuda de um instrumento ancestral, que se parece com uma bússola de ouro, ela parte numa jornada que pode alterar o mundo para sempre.

Existem certos filmes que são condenados ao pessimismo quando não faturam uma bilheteria satisfatória, principalmente aqueles que são superproduções baseadas em um famoso livro de fantasia. É o caso de A Bússola de Ouro, que teve que amargar uma fria recepção e dinheiro no caixa muito abaixo do esperado após a sua decepcionante estréia. Motivo para isso não vejo, uma vez que o filme de Chris Weitz é deslumbrante e atraente em seu visual, além de ser uma das adaptações mais fiéis desse tipo de história. Primeiramente devemos ter em mente que não é uma produção para crianças (que provavelmente não vão entender a trama) e sim para o público que se interessou pela obra literária de Philip Pullman e até mesmo pelo próprio filme. Por mais que o roteiro tenha invertido certos fatos para facilitar o entendimento do cinéfilo, o desenvolvimento permaneceu muito corriqueiro para quem não leu o livro.

A pequena Dakota Blue Richards segura o filme como ninguém, mostrando muita maturidade e segurança em um papel que não é muito interessante (a mocinha pura que recebe uma difícil missão). Além de ser uma das maiores revelações do ano, mostra que tem futuro no cinema, ao contrário das crianças de As Crônicas de Nárnia. Daniel Craig tem papel pouco explorado, assim como no livro, e aproveita bem as suas cenas. Seu personagem saiu como “bonzinho” na história, o que acaba sendo um erro a ser consertado caso exista a continuação. Menor ainda é a participação de Eva Green, uma completa figurante. No entanto, toda a expectativa em relação ao elenco era em torno do esperado retorno de Nicole Kidman (já que seu Invasores foi completamente ignorado por público e crítica). Cumprindo exatamente o papel da obra literária – com poucas cenas e maiores momentos, ela está completamente deslumbrante, linda e hipnotizante, além de aproveitar a personagem de forma estupenda. Cheia de classe e beleza, Nicole realizou um de seus melhores trabalhos, dentro do que lhe é proposto. O filme ainda tem as vozes de Freddie Highmore, Ian McKellen e Kathy Bates.

Como já citado anteriormente, a história de A Bússola de Ouro é rápida demais. Mesmo que tenha duas horas de duração, o roteiro acabou ficando condensado demais, dando pouco tempo para que possamos absorver bem todos nomes, informações e detalhes que aparecem a cada minuto. Porém, fiquei bastante contente com o ótimo resultado dessa adaptação, que em momento algum altera os fatos ou distorce a história. Por mais que tudo seja correto em excesso, o roteiro é um saldo positivo para os leitores da obra de Pullman. E nem tanto para os cinéfilos. O que se deve ressaltar é que o decepcionante final da obra ficou de fora e a inclusão do “Magistério” foi usada como uma analogia à Igreja. Eis então, aqui, toda a indignação dos católicos fervoros, que apontam o filme como anti-religioso, uma vez que o Magistério é representado com uma figurante manipuladora e totalmente do mal. Também temos mais ação e movimentação na versão cinematográfica. Pena que tudo ficou preso demais ao correto e ao pouco ousado, o que acaba por não empolgar muito.

O que impressiona mais nessa super produção, sem dúvida, é a impecável parte técnica. Desde os efeitos minimalistas (Iorek Byrnison ficou perfeito, assim como Pantailamon) merecedores de uma indicação ao Oscar até os lindíssimos figurinos (com mais de seiscentas roupas desenhadas para o longa). Outro aspecto muito bom é a trilha de Alexandre Desplat, que não é melhor que seus outros trabalhos desse ano (A Rainha e O Despertar de Uma Paixão), mas que é muito competente e adequada. Encantadora mesma é a impressionante e detalhada direção de arte, outro setor do filme que merece uma indicação ao Oscar. Concluindo, gostaria de fazer defesa a esse filme, que provavelmente vai ser condenado ao frasso, em função de ser vendido de forma errada. Como leitor do livro, fiquei mais do que satisfeito. Como cinéfilo, nem tanto. De qualquer forma, A Bússola de Ouro é um excelente passa-tempo para quem estiver disposto a ficar de olhos atentos em uma dificil trama cheia de detalhes.

FILME: 8.0

Leia também:

Resenha publicada no Cinema 2007 sobre o livro de Philip Pullman.

Resenha do filme pelo Blog do Vinícius.

Melhores de 2007 – Ator

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Melhor Ator

- Forest Withaker, por O Último Rei da Escócia -

O ator Forest Whitaker conseguiu um grande feito no excelente O Último Rei da Escócia. Durante boa parte do filme, ele é uma figura encantadora e magnética, atraindo completamente o espectador. Aos poucos, vai se tornando em alguém perigoso e irracional, que se revela um verdadeiro perigo. Interpretações mutantes como essas são difíceis de se achar, e esse estilo me agrada particularmente. Por esse motivo, Whitaker leva o meu prêmio de melhor ator do ano. Fica claro que o filme não é totalmente dele, afinal James McAvoy fez um brilhante trabalho, mas o maior destaque acaba sendo ele. Premiado com o Oscar e o Globo de Ouro, entre outros, Forest Whitaker foi bastante elogiado, mas seu filme não teve maior destaque porque não se saiu muito bem entre a crítica e o público. Como adoro O Último Rei da Escócia, é impossível eu ficar indiferente ao ótimo trabalho do ator.

 

OUTROS INDICADOS: 

 

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Wagner Moura, por Tropa de Elite. Se pedissem para eu escolher a maior revelação nacional do ano, não pensaria duas vezes: Wagner Moura. Além de ter feito um bom trabalho naquela pavorosa novelinha da Globo, celebrou a vitória em Saneamento Básico. Mas foi com Tropa de Elite (filme celebrado em excesso, na minha opinião “do contra”) que ele se firmou como um dos melhores, se não o melhor, ator de sua geração. Ele vai muito além dos gritos que seu personagem exige ou das cenas pesadas; ele consegue trazer verossimilhança para o personagem, que se torna cada vez mais interessante, especialmente nas memoráveis narrações em off. Pena que eu não gostei tanto do filme.

 

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Peter O’Toole, por Vênus. É inegável que Peter O’Toole apresentou uma ótima interpretação em Vênus. Apesar do visível desgaste físico, conseguiu surpreender com uma minimalista atuação. Pena que ela esteja em um filme tão monótono e fraco, onde o roteiro não envolve. O’Toole dá o melhor de si, assim como o resto do elenco (destaque para Jodie Whitaker). Ele consegue dar muita humanidade a esse personagem solitário, confuso e complexo. Gosto bastante do seu estilo de interpretar, mas o fato de eu não ter gostado do filme, acabou influenciando minha opinião em relação ao desempenho. Um trabalho competente e surpreendente para a idade do ator.

 

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Patrick Wilson, por Pecados Íntimos. Muito se falou dos desempenhos de Kate Winslet, Jackie Earle Haley e até mesmo de Jennifer Connelly, mas quase ninguém parece ter gostado do desempenho de Patrick Wilson, a não ser eu. Para quem tinha feito trabalhos completamente inexpressivos como O Fantasma da Ópera, Patrick Wilson conseguiu se superar, mantendo-se no mesmo nível de excelência de atuação dos que seus companheiros de tela. Seu estilo não é baseado em choros, sotaques ou maneirismos, mas em silêncios contidos e olhares observadores. Pena que não conseguiu espaço nas premiações, pois certamente era merecedor de uma indicação. 

 

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Tommy Lee Jones, por No Vale das Sombras. O desempenho de Tommy Lee Jones é o maior acerto do novo filme de Paul Haggis. A princípio ele pode não convenver muito mas, na medidada em que o tempo avança, acabamos nos envolvendo com sua emoção contida e com sua vontade de encontrar o verdadeiro culpado pela morte do filho. É a melhor interpretação do longa e as maiores chances do filme para conseguir alguma indicação nas futuras premiações. Acredito que ele chegará ao Oscar, pois seu trabalho é muito merecedor. Teria mais força se o papel fosse mais humano e tivesse uma dimensão dramática maior. Sem dúvida alguma é o maior destaque do filme.

 

ATENÇÃO: SAI PATRICK WILSON (PECADOS ÍNTIMOS) E ENTRA GEORGE CLOONEY (CONDUTA DE RISCO) 

Outros destaques de 2007: James McAvoy (O Último Rei da Escócia), Leonardo DiCaprio (Diamante de Sangue), Matt Damon (O Ultimato Bourne e O Bom Pastor)Michael Shannon (Possuídos), Richard Gere (O Vigarista do Ano), Will Ferell (Mais Estranho Que a Ficção) e Will Smith (À Procura da Felicidade).

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