
O Filho da Noiva, de Juan Jose Campanella (revisto)
Com Ricardo Darín, Norma Aleandro e Hector Altério.

Concorreu ao Oscar de Filme Estrangeiro em 2002, essa pequena produção argentina muito emocionante e sensível, que acabou perdendo a estatueta para Terra de Ninguém. Além disso, ganhou o Kikito de Ouro nas categorias Melhor Filme (pelo júri popular) e Melhor Atriz (Norma). Não entendi o motivo de não ter levado o prêmio da Academia, pois além de merecedor, trata de um tema típico do gosto dos votantes: uma doença; aqui representada pelo Mal de Alzheimer, enfermidade cerebral incurável que vai diminuindo aos poucos a memória da pessoa. O Filho da Noiva também fala sobre relacionamentos familiares, abandono, amor e companheirismo, tudo com aquele já conhecido charme do cinema argentino. Norma Aleandro está impagável e emocionante como a desmemoriada mãe, Ricardo Darín tem bom desempenho e Hector Altério também está ótimo como o apaixonado pai que quer realizar o sonho de sua mulher. Os mais “fracos” podem sair emocionados, e o resto vai sair com um baita sorriso após a última cena, onde Norma Aleandro traz em um sorriso, um sopro de esperança para a vida.
FILME: 8.0

Lavoura Arcaica, de Luiz Fernando Carvalho
Com Selton Mello, Raul Cortez e Simone Spoladore.

Não dá pra acreditar que Lavoura Arcaica é um filme brasileiro. De todos as produções feitas em território nacional que já tive a oportunidade de ver, nenhuma tem uma complexidade tão grande e um simbolismo único como essa. Começo destacando a incrível narração, que faz análises brilhantes de cada momento e de cada personagem, sendo por fim um dos maiores acertos. A montagem, a trilha e a fotografia também são grandes destaques, exaltando toda a beleza estética, como nunca se viu em um filme brasileiro. O trabalho que o elenco realizou foi brilhante, onde todos têm seus momentos especiais. Só esperava mais de Selton Mello, que está com uma dicção estranha e um pouco exagerado em certos momentos, mas nada que comprometa sua boa atuação. Cheio de lirismos e entrelinhas, Lavoura Arcaica é daquele tipo de filme que nos dá orgulho de se dizer que foi produzido aqui. Se não é o melhor da história do cinema brasileiro, ao menos é o mais bem produzido. Pena que tenha uma duração excessiva (longos e repetitivos 170 minutos que poderiam muito bem ter sido reduzidos), mas como diz o personagem do já falecido Raul Cortez: “a paciência é a virtude das virtudes”. Portanto, tenha e aprecie essa pérola de nosso cinema.
FILME: 8.0

Cantando Na Chuva, de Gene Kelly e Stanley Donen
Com Gene Kelly, Jean Hagen e Debbie Reynolds.

Esse é considerado o maior musical da história do cinema. Apesar desse título concebido pelo público e pela crítica, não acho Cantando na Chuva um musical tão brilhante assim. É incrivelmente divertido e adorável, mas parece faltar algo nessa produção. A história é uma homenagem ao cinema (tratando principalmente do fim do cinema mudo e da origem do falado) e seus intérpretes conseguem ser absurdamente verossímeis e simpáticos, com destaque para as mulheres – a cômica Jean Hagen (indicada ao Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante por seu desempenho) e a encantadora Debbie Reynolds. É uma experiência extremamente recompensador assistir Cantando Na Chuva, especialmente por causa do histórico número musical que nomeia o filme. Ainda que lhe falte mais sentimento, o filme é obrigatório para um cinéfilo que se preze. Dirigido e estrelado por Gene Kelly, o musical foi completamente ignorado pela Academia, que lhe concedeu apenas duas indicações – de Atriz Coadjuvante e Trilha Sonora. Não levou nenhum deles.
FILME: 8.0

Café-da-Manhã em Plutão, de Neil Jordan.
Com Cillian Murphy, Liam Neeson e Stephen Rea

A minha única vontade de conferir Café-da-Manhã em Plutão era por causa do estranho e promissor Cillian Murphy, que foi indicado ao Globo de Ouro de Melhor Ator Comédia/Musical por seu desempenho aqui. Ele superou minhas expectativas, o filme não. Pena que esse ator especial esteja em um roteiro tão fraco e irregular como esse, que não tem ritmo e é demasiadamente longo. No entanto, dá pra se tirar bom proveito da sessão, que é divertida em diversos momentos, especialmente por causa da trilha sonora. Reclamações à parte, é o protagonista que consegue tirar o melhor proveito do filme e mostra porque é considerado um ator de futuro no cinema.
FILME: 6.0

As Férias da Minha Vida, de Wayne Wang
Com Queen Latifah, Gerard Dépardieu e Alicia Witt.

Nem me lembrava que o diretor Wayne Wang havia feito um filme que acho bem legal e adorável – Em Qualquer Outro Lugar, com Susan Sarandon e Natalie Portman, sobre a história de um relacionamento entre mãe e filha. As Férias da Minha Vida não tem nada a ver com esse trabalho, mas ao menos têm algo em comum: uma simpática protagonista. É por Queen Latifah que devemos perdoar todos os clichês e a previsibilidade dessa trama que já está mais que saturada (mulher descobre que vai morrer e resolve fazer tudo o que não fez na vida). Sempre achei essa questionável atriz, que até então só havia me conquistado em musicais como Chicago e Hairspray, tinha mais talento para ir além. E é examente isso que acontece aqui – As Férias da Minha Vida é apenas um agradável veículo para Latifah demonstrar que pode ir além de sua voz, sendo bastante engraçada e até mesmo emocionante. Essa produção não acrescenta nada em sua vida de cinéfilo e nem vai mudar sua vida, mas serve para conhecermos um pouquinho mais da divertida atriz.
FILME: 7.0

Cidade dos Sonhos, de David Lynch
Com Naomi Watts, Justin Theroux e Laura Harring

Demorei bastante pra entrar no estranho clima desse filme, que à primeira vista parece bem frio e distante, mas que aos poucos vai prendendo a atenção com sua intrigante trama. É preciso muita atenção, pois cada detalhe é importante para o desfecho, que acaba sendo complexo até demais, e precisa de uma releitura para ser bem compreendido – na realidade, ainda existem certas coisas que não compreendi muito bem. Naomi Watts está encantadora com sua beleza e intensa com seu talento, em papel ousado (suas cenas são bem eróticas, e ela merece elogios por ter enfrentado esse desafio); o resto do elenco não deixa maior impressão, a não ser a companheira de Naomi, Laura Harring. Não sei porquê, mas de um certo jeito Cidade dos Sonhos me lembrou Donnie Darko. Acaba sendo um daqueles filmes que deixa o espectador intrigado, principalmente quando chegam os créditos finais. Excelente, sem dúvida, mas para poucos.
FILME: 8.0

O Sacrifício, de Neil LaBute.
Com Nicolas Cage, Ellen Burstyn e Frances Conroy.

Teve cinco merecidas indicações ao Framboesa de Ouro, incluindo pior filme e ator. Inclusive Nicolas Cage devia ter levado o prêmio, porque eu fiquei completamente impressionado com ele e sua facilidade de se meter em projetos completamente sem sentidos e ridículos como esse. O filme já começa cometendo o erro de não saber direito o seu gênero – drama? suspense? invstigação? Além disso, comete o erro de parecer uma mistura de A Vila (por se passar em um lugar isolado onde nada parece normal) e Os Esquecidos (onde uma mulher tenta provar que sua filha realmente existiu) só que tudo incrivelmente medíocre, fraco e até mesmo infantil. Dei altas risadas involuntárias, principalmente nas cenas em que Cage começa a lutar com as mulheres da aldeia. Não é novidade nenhuma ele estar metido nesse projeto; com O Sacrifício conseguiu chegar na minha lista de atores que mais odeio. Fico com pena de Ellen Burstyn e Frances Conroy, duas atrizes talentosas que foram para nessa desgraça. Evite a qualquer custo.
FILME: 4.0

“O Filho da Noiva” é um filme comovente e a prova de que poderíamos aprender muito com o cinema argentino, que conta histórias de apelo universal com uma comptência ímpar.
Gosto muito de “Lavoura Arcaica”, mas, como assisti ao filme somente uma vez, tenho a impressão de que a obra do Luiz Fernando Carvalho é uma daquelas para se ver mais vezes e para poder compreender a obra de uma maneira mais satisfatória.
“Cantando na Chuva” não é o melhor musical de todos os tempos, na minha opinião, mas é um filme clássico e cheio de cenas inesquecíveis.
Eu gosto de “As Férias da Minha Vida”. Um filme que tem uma mensagem bem bonita, apesar de ser uma comédia. A Queen Latifah está ótima no papel principal.
“Cidade dos Sonhos” é um bom filme e confesso que tive que assistir umas três vezes até compreendê-lo completamente.
Você deu 4,0 para “O Sacrifício”??? Foi muito generoso. Esse filme é o pior filme do ano passado. UM TERROR! E “Matem o Zangão”!! rsrsrsrsrsrsrsrsrsrssrsrsr
O Filho da Noiva não vi.
Você me deixou muito interessado com Lavoura Arcaica.
Cantando na Chuva eu adorei, e ainda mais quando o vi pela segunda vez. É contagiante, adorável e – discordando de você – repleto de emoção e sentimento. Os atores são excelentes e o visual também. Inesquecível, mas de musicais, não considero o melhor, pois ainda sou apaixonado por Chicago. Nota 9,5 *****
Café da Manhã em Plutão eu adorei. Ousado, incomum e envolvente, possui bela estética e uma narrativa bem original, que narra a história de forma inovadora e sempre cativante, o que ganha grande ajuda do elenco ótimo, com destaque claro, para o impecável Cillian Murphy, que se devo dizer, merecia ter ido ao Oscar. Nota 8,5 ****
As Férias da Minha Vida é um bom, descompromissado e simples filme. É batido e clichêzento, mas vale a pena a sessão. Latifah é boa protagonista. Nota 6,5 ***
Cidade dos Sonhos vi uma vez e mantenho sem nota ou opinião sobre ele. Verei novamente essa semana e terei uma opinião sólida. Só acho delirante e completamente envolvente, dá um novo sentido á “hipnótico”.
O Sacrifício é um filme que apesar de eu não o considerar tão ruim quanto muitos, odeio também. Cage está caricato, e a narrativa chata e sem graça do filme não ajuda, principalmente quando chegamos ao final mediocre. O filme faz sentido, digo, a história é boa. Mas o roteiro criou situações absurdas e personagens execráveis. Por isso, quero muito ver o filme original. Nota 4,5 **
Também não acho CANTANDO NA CHUVA essa bolacha toda, ainda que seja belíssimo de se ver e ouvir, engraçado, divertido, com elenco inspirado. Enfim, é despretensioso e bem-sucedido.
**** Cantando na Chuva: é um musical encantador como poucas vezes é realizado em tempos atuais. Sublime e com surpreendente leveza nos números musicais. Não faltou absolutamente nada!
*** As Férias da Minha Vida: francamente, é uma trama patética. Ainda bem que temos uma atriz experiente o suficiente como Queen Latifah para transformar um filme horrendo numa experiência simpática, descontraída e encantadora.
**** Cidade dos Sonhos: realmente é necessário ver diversas vezes este filme para o espectador conseguir conexão com a mente enigmática de David Lynch para encontrar ligação com o tema bizarro. Vou rever em breve para tentar desvendar alguns outros mistérios.
** O Sacrifício: continuo persistindo dizendo que o filme não é ruim. Adorei o jeito perverso que Neil LaBute arquitetou a sua bizarra guerra dos sexos. Mas está longe do nível de “O Homem de Palha”, a cultuada versão original.
Daqueles que vi, “Cantando na Chuva” é de longe o melhor:
8.0 [****] O FILHO DA NOIVA: Eu não achei tão emocionante quanto a maioria, mas sem dúvida é um trabalho de direção/elenco sensacional – e com alguns momentos brilhantes.
9.5 [*****] CANTANDO NA CHUVA: Sou daqueles que considera esse como sendo o melhor musical em todos os tempos. É divertido, tem alguns momentos mágicos e até hoje não foi superado. O Oscar já esnobou grandes filmes, então não me surpreende que não tenha ganhado nada.
6.5 [***] AS FÉRIAS DA MINHA VIDA: Acho que o pior do filme são aqueles momentos nonsense de comédia duvidosa, mas a história é ótima e se fosse trabalhada de outra forma poderia dar uma nova indicação ao Oscar para a Latifah.
8.0 [****] CIDADE DOS SONHOS: Sem dúvida é para poucos, eu mesmo não fiquei tão surpreendido quanto esperava. De qualque forma o Lynch é um mestre e a Naomi merecia indicação ao Oscar somente por aquela cena da ‘atuação’.
1.0 [*] O SACRIFÍCIO: Foi um dos 5 piores filmes do ano passado. Acho que o Nicolas Cage só tá fazendo porcarias de lá para cá, o que é uma pena, afinal ele já ganhou um Oscar…
Gostaria de saber se possível o nome de um filme que fala sobre o mal de alzheimer, onde o marido abandona o trabalho para se dedicar totalmente a esposa que está com este problema de saúde.
Grata
Zeni – SP 19/12/2008.